Pela cidade

Em Agosto do ano passado, tive a excelente oportunidade de fazer um Workshop junto aos mestrandos em arquitetura do Mackenzie, com a super renomada fotógrafa de arquitetura Erieta Attali.  Na verdade o workshop foi de uma semana – super rapidinho – e era para quem se interessava em aprender a fotografar arquitetura. Ele só foi divulgado entre os mestrandos, por ser uma permuta entre Erieta e a professora Ruth Verde Zein, para um projeto sobre arquitetura brutalista que estava sendo realizado. Ao fim do workshop fizemos algumas fotos de obras brutalistas específicas que estavam sendo abordadas no projeto.

Posso dizer que nunca uma semana fez tanta diferença na vida, hehe. O Workshop foi super intenso, tínhamos que realizar fotografias todos os dias e entregá-las tratadas ou no mesmo dia, ou no dia seguinte. Quem fotografa arquitetura sabe o quão complexo é cuidar de tantos elementos ao mesmo tempo e entregar as fotos em tempo recorde (as distorções de lente exigem correções de perspectiva no photoshop, postes e sinalizadores indesejados junto à obra também pedem um jeitinho, a luz estourada que pede HDR, a correção de cor de acordo com as luzes do ambiente, que geralmente são vários tipos juntos – fluorescente, incandescente, etc., o horário da foto faz toda a diferença – ele dura pouco, além de ter que encontrar um bom ângulo e ainda ter paciência de esperar um santo indivíduo passar justamente na hora perfeita e compor o click). Enfim, faltou sono mas sobrou boa vontade e satisfação com o resultado! A exigência na qualidade do resultado era enorme, a inovação, os detalhes perceptivos… Dava para sentir pelo menos 70% do trabalho indo para o ralo a cada triagem, mas foi válido!

Apesar de fotografar arquitetura há algum tempo, pode parecer ridículo mas eu nunca havia saído tão livremente apenas para fotografar a cidade. Claro, já passei alguns perrengues fotografando em poucas pessoas e logo adquiri aquele trauminha básico. E com o dia-a-dia tudo se torna motivo para não fotografar: é medo, é falta de tempo, é preguiça, é esquecimento, é trabalho para entregar… Tantas desculpas que a gente usa e acaba se esquecendo do porque começou a fotografar, de onde pretendia-se chegar com aquilo. São Paulo é perigosa sim, todo mundo sabe que não dá para vacilar com a câmera, mas é super possível fazer um rolê solitário de boa – consciente, atento – e ter total liberdade de interagir com a cidade sem medo, sendo homem ou mulher. O ápice do cômico foi me olhar no espelho e simplesmente não me enxergar naquela calça jeans larga e surrada, no tênis velho, na mochila gasta nas costas, no peito achatado, no moletom surrado, no gorro de lã escondendo o cabelo, no rosto sem vaidade… Todas as peças formando um um figurino para se tornar indiferente, andrógina, invisível, com cara de todos e de ninguém. Cara, como isso é incrível! Recomendo, façam o teste! Foi um laboratório de teatro sensacional! É engraçado como falta de identidade dá segurança, ainda mais para as mulheres.

Essa liberdade toda acabou se refletindo no resultado do trabalho – que não é propriamente arquitetônico – mas fala de arquitetura; e não é propriamente sobre pessoas – mas sem estas o trabalho não existia. É sobre a cidade, o cotidiano, as construções, a velocidade, a fluidez; é pegar o trem até a última estação para ver no que vai dar; é se enfiar em passarela, em beco, em avenida, em viaduto, em parque, em prédio, em casa; é parar de correr para observar os outros correndo; é enxergar a cidade com olhos quase estrangeiros, como outra pessoa em outro lugar. 

Enfim, chega de poetizar. Segue o trabalho:

Um Comentário

  1. Theo Teixeira Fontes

    Incrivel Babi!!! Parabens pelo trabalho!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: